Enquanto intolerantes à lactose contam com alimentos especiais, alérgicos à proteína do leite ainda terão de esperar mais um tempo pelo interesse de produtores e indústrias em colocar a bebida no mercado — pelo menos no Rio Grande do Sul. Hoje, Estados como São Paulo e Paraná disponibilizam aos consumidores o leite A2, que não tem um peptídeo (biomolécula) causador de alergia, presente no leite A1.
Esse peptídeo é grande e o organismo, principalmente o das crianças, tem dificuldade para metabolizá-lo — explica Neila Richards, chefe do Departamento de Tecnologia e Ciências dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao contrário do A1, o leite A2 é de fácil digestão, segundo Neila. Tanto que, além de ser utilizado em dietas com restrição a proteínas específicas da bebida, pode ser opção para intolerantes à lactose.
Em setembro deste ano, o Ministério da Agricultura regulamentou a rotulagem do A2, com inclusão da denominação de origem do leite proveniente de vacas A2A2. Para isso, o produtor precisa comprovar genotipagem (que determina o DNA) dos animais, origem do leite, segregação do rebanho e higienização das linhas de ordenha.
Como o rebanho é de origem europeia, uma das alternativas para o produtor é comprar sêmen A2A2 — afirma Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS).
O valor do investimento é apontado pelo dirigente como um dos motivos pelos quais esse mercado ainda não avançou no Estado: É um processo, talvez ainda demore, pois grande parte das propriedades não é grande. Além disso, falta a participação da indústria para disponibilizar o produto ao consumidor.
A bebida zero lactose é comercializada em larga escala nos supermercados há cerca de cinco anos. Segundo Palharini, sua fabricação é mais em conta, pois utiliza a mesma matéria-prima do leite tradicional. Existem dois processos para retirada de lactose. No país, as indústrias adicionam a lactase no leite para quebrar mais de 90% da lactose. Há ainda a ultrafiltração, que não é usada no Brasil — esclarece Neila, também diretora científica da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL).