
A área de produção aumentou e o clima colaborou, mas o consumo não acompanhou o recente incremento da oferta de hortifrutigranjeiros no mercado doméstico, o que gerou uma crise de preços marcada por baixas que, no varejo de São Paulo, chegam a superar 50% em relação aos patamares do início de 2016.
A crise é da batata, da cebola, do tomate, da cenoura, da beterraba. Enfim, de uma supersafra de todos esses produtos, beneficiada por um clima perfeito.
O mercado catarinense é um dos que mais sentem a pressão do crescimento da oferta de cebola, que gerou quedas de preços que comprometeram a capacidade dos produtores locais de quitarem seus financiamentos. Santa Catarina lidera a produção nacional de cebola. Responde por pouco mais de 30% do total, estimado em 1,4 milhão de toneladas pelo IBGE. Em janeiro o preço médio do bulbo pago ao produtor foi 19,7% menor que o valor mínimo definido pelo órgão (R$ R$ 0,61 o quilo). O excesso de produção está sendo responsável por reduzir a inflação, o que torna mais barato socorrer os produtores.
E a queda chegou com força ao consumidor. No varejo paulista, em Fevereiro o preço médio do bulbo foi 52,7% mais baixo que o do mesmo mês do ano passado, de acordo com o IEA (Instituto de Economia Agrícola) da Secretaria da Agricultura do Estado. Outro produto cujos preços amargam retrações expressivas é a batata. Em São Paulo, em fevereiro o quilo do tubérculo caiu 60% no atacado, conforme o Cepea/Esalq, e 42,2% no varejo, segundo o IEA, na comparação com fevereiro de 2016, quando a oferta estava comprometida pelo clima adverso.
São Paulo responde por pouco menos de 20% produção nacional de batata, estimada pelo IBGE em 3,8 milhões de toneladas. Há três meses o estado está registrando muito mais oferta do que capacidade de consumo, embora se esteja vendendo a batata por preços bem inferiores aos custos de produção.
Segundo avalia Flavio Godas, economista da estatal federal Ceagesp, os preços mais baixos de fato poderão impulsionar a demanda nos próximos meses, o que deverá levar a uma valorização desses produtos que estão em baixa. Mas ele afirma que, mesmo assim, “os preços vão permanecer em patamares satisfatórios para o consumidor, sem elevações significativas”.
Fonte: Valor Econômico
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